Vice de Zema, Girão afirma que Michelle teve 'coragem' ao expor acordo 'indecoroso' do PL com Ciro
05/08/2026
(Foto: Reprodução) Girão afirma que Michelle teve 'coragem' ao expor acordo 'indecoroso' do PL com Ciro.
O senador Eduardo Girão (Novo) afirmou, nesta terça-feira (4), que fez uma ligação telefônica para a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL) após aceitar convite para concorrer como vice ao lado de Romeu Zema (Novo) em chapa à Presidência da República. Girão elogiou a “coragem” de Michelle em expor o acordo do PL com Ciro Gomes (PSDB) para formar chapa nas eleições do Ceará (entenda mais abaixo).
“Ela teve a coragem de expor esse acordão indecoroso que aconteceu aqui no estado do Ceará, do PL com as pessoas que estão querendo voltar para o poder, que colocaram o PT no poder”, falou o candidato durante convenção do Novo em Fortaleza.
“É água e óleo. A gente vê que não se sustenta. É um erro histórico que aconteceu no PL, e ela teve a coragem de enfrentar”, reforçou o senador.
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Na convenção do Novo, foi lançado o advogado Pedro Brito como candidato ao governo do estado. Girão era cotado a ser o candidato do partido, mas desistiu ao aceitar ser o vice da chapa de Zema para a Presidência.
Vice de Zema, Girão afirma que Michelle teve 'coragem' ao expor acordo 'indecoroso' do PL com Ciro.
Fabiane de Paula/SVM
O senador era apoiado pela ex-primeira dama ao governo do Ceará, mas o PL decidiu apoiar Ciro Gomes, em movimento orquestrado pelo deputado federal André Fernandes, presidente do partido no Ceará.
Girão disse ainda que a ex-primeira dama foi uma das primeiras pessoas para quem ele ligou após aceitar fazer parte da chapa de Zema.
“Foi a primeira pessoa que eu liguei particularmente, depois da minha família, foi a Michelle. Uma mulher autêntica, de valores, de princípios, que eu admiro demais [...] Da mesma forma que eu fui surpreendido, ela também. Mas a gente conversou, e ela, como uma amiga, uma pessoa que é uma irmã para mim, desejou boa sorte”, comentou Girão.
Críticas a Ciro Gomes
Senador Eduardo Girão (Novo) será candidato a vice-presidente ao lado de Romeu Zema.
Kid Junior/ SVM.
O ex-ministro e atual candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes, fez uma publicação nas redes sociais parabenizando Girão pelo convite à chapa presidenciável, na noite desta terça-feira (4).
“Quero cumprimentar o senador Eduardo Girão pelo honroso convite para disputar a vice presidência da república . É muitíssimo raro que cearenses consigam alcançar oportunidades na luta política nacional . Desejo ao Senador Girão muito boa sorte na empreitada”, disse Ciro.
Questionado sobre a mensagem, Girão agradeceu as palavras de Ciro, mas rebateu o candidato. "Ciro Gomes é um dos cearenses mais inteligentes. Ele tem uma eloquência muito grande. Eu discordo da maneira de fazer política dele, isso faz parte, eu agradeço a mensagem", disse.
"Acredito que o Ceará precisa de uma ruptura desse modelo, do coronelismo, da oligarquia, que ele, o irmão [Cid Gomes], pessoas de outras famílias que estão entrando e o PT representam", reforçou Girão.
“A gente precisa de uma ruptura, é por isso que eu tive muito cuidado, numa discussão com todos que fazem o Novo aqui, para a gente conseguir formatar uma chapa e entregar para o cearense a alternativa. Então, a gente tem um advogado, um homem que é sensível, extremamente corajoso, dedicado em tudo que faz, e que tem o lema que eu tenho, que é justiça para todos”, complementou.
Entenda a divergência no PL
Michelle Bolsonaro expõe briga com Flávio: 'Entendi que não queria meu apoio'
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou, em junho, um depoimento nas redes sociais em que diz ter sido humilhada pelo senador e pré-candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência, Flávio Bolsonaro.
Nos vídeos, Michelle cita uma briga por causa da articulação do deputado federal André Fernandes (PL) para que o partido apoiasse a candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Ceará em 2026, além de uma disputa entre candidatos do PL no estado por uma vaga no Senado.
O episódio citado pela ex-primeira-dama teve início em um comício do qual ela participou em Fortaleza no fim de 2025. À época, Michelle lembrou que Ciro havia criticado duramente Jair Bolsonaro e seus filhos e afirmou que o apoio articulado por André Fernandes, presidente estadual do PL no Ceará, era precipitado.
No Ceará, Michelle defendia a candidatura do senador Eduardo Girão ao Executivo estadual. Conforme Michelle, Girão representa os valores defendidos por Bolsonaro. Ela avaliava que um apoio do PL a Ciro só deveria ocorrer em um eventual segundo turno. O PL oficializou apoio ao ex-ministro em maio deste ano.
“É sobre essa aliança que vocês se precipitaram a fazer. Eu tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, assim não dá”, disse Michelle no comício de 2025, olhando para Fernandes.
Ela afirmou que, pouco após o discurso, Flávio Bolsonaro telefonou para ela e os dois discutiram. "Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi", narrou.
Michelle e Flávio Bolsonaro entraram em atrito por divergências de apoios no Ceará
Reprodução
No depoimento publicado, Michelle também citou a briga pelo Senado: em junho de 2025, ela apoiou publicamente a pré-candidatura da deputada federal Priscila Costa (PL) a uma vaga no Senado. O PL, no entanto, lançou o deputado estadual Alcides Fernandes, pai de André.
Michelle afirmou que a candidatura de Priscila havia sido acordada com Jair Bolsonaro.
Michelle Bolsonaro e André Fernandes em evento que lançou a pré-candidatura de Eduardo Girão ao governo do Ceará.
Fabiane de Paula/SVM
"Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro [...]Já que a aliança com Ciro é tão boa, por que o André não disponibiliza a vaga de seu próprio pai? Por que só a mulher tem que ceder?", questionou Michelle.
Ela também usou o vídeo recente para criticar novamente o apoio a Ciro. "Eu sou contra ela [a aliança], mas essa é apenas a minha convicção. Se a direita quer se unir para derrotar o PT, tudo bem", disse. "Mas a coerência obriga que isso aconteça apenas no segundo turno".
Quem são os nomes que aparecem na briga
Quem é quem na confusão que gerou briga entre Michelle e Flávio Bolsonaro
Divulgação e Reprodução.
A discussão descrita por Michelle envolve:
André Fernandes: deputado federal e presidente do PL Ceará, André articulou desde 2025 uma aproximação do Partido Liberal ao PSDB de Ciro Gomes; defende uma união de grupos à direita em torno de um candidato para enfrentar o governador Elmano de Freitas (PT); também defende que o seu pai, Alcides Fernandes, seja o candidato do PL ao Senado;
Ciro Gomes: ex-ministro e ex-governador do Ceará, foi lançado pré-candidato do PSDB ao Governo do Ceará em 16 de maio deste ano; o evento contou com participação de lideranças do PL;
Eduardo Girão: senador do Ceará, que era pré-candidato do partido Novo ao Governo do Estado; tinha apoio de Michelle Bolsonaro;
Alcides Fernandes: deputado estadual pelo PL, é pai de André Fernandes e foi lançado pelo filho como candidato do partido no Ceará ao Senado;
Priscila Costa: vereadora de Fortaleza pelo PL, irá assumir a vaga de deputada federal que era de Dayany Bittencourt (União), esposa de Capitão Wagner (União) - outro nome forte da direita no Ceará. Em 2025, Priscila foi lançada por Michelle Bolsonaro como pré-candidata do PL ao Senado no Ceará.
Discussão sobre Ciro
Segundo Michelle, Ciro Gomes foi o principal responsável "pelo processo que levou à inelegibilidade do meu marido". Ela citou ainda que o ex-governador do Ceará havia chamado Bolsonaro e seus filhos, incluindo Flávio, de corruptos e bandidos.
Na época em que criticou o apoio a Ciro, a fala da ex-primeira-dama gerou reação imediata dos filhos de Jair Bolsonaro:
Flávio afirmou que Michelle havia “atropelado” Jair Bolsonaro ao questionar um movimento de articulação autorizado pelo ex-presidente;
Carlos e Jair Renan endossaram a crítica;
Eduardo disse que André Fernandes havia sido “injustamente exposto” por Michelle.
No Ceará, lideranças do PL também defenderam o apoio do partido ao candidato do PSDB:
Alcides Fernandes afirmou que Ciro era a melhor opção da oposição no estado e disse que deputados estavam se aproveitando o nome de Michelle;
A deputada estadual Dra. Silvana disse que a fala de Michelle foi um "verdadeiro ataque ao deputado federal André Fernandes" e que Bolsonaro havia definido que André decidisse as tratativas no Ceará.
Ainda em 2025, após a reação do PL Ceará e dos enteados, Michelle publicou uma nota dizendo respeitar a opinião deles, mas discordar dela. "Aqueles que defendem essa aliança são livres para continuar com ela, mas não deveriam me criticar por não aceitá-la. Eu tenho o direito de não aceitar isso, ainda que essa fosse a vontade do Jair (ele não me falou se é)", afirmou à época.
Aproximação do PL com o PSDB
André Fernandes e Alcides Fernandes (PL) no evento de filiação de Ciro Gomes ao PSDB.
Thiago Gadelha/SVM
A aproximação entre Ciro e André Fernandes começou após as eleições municipais de 2024, nas quais o deputado federal foi ao segundo turno na disputa pela Prefeitura de Fortaleza contra Evandro Leitão (PT) e perdeu por pouco mais de 10 mil votos.
À época, André recebeu apoio do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União), um dos principais aliados de Ciro e hoje cotado a concorrer a vice-governador do ex-ministro na disputa pelo governo do Ceará.
Ao longo de 2025, Ciro e lideranças do PL passaram a negociar uma chapa para disputar o governo estadual contra Elmano de Freitas (PT), atual governador. Pesquisa Quaest divulgada em abril sobre as eleições locais indicam Ciro Gomes na liderança das intenções de voto, com 41%, e Elmano de Freitas (PT) com 32%. Eduardo Girão (Novo) é o terceiro, com 4%.
Após a crítica de Michelle, o Partido Liberal (PL) suspendeu, em dezembro de 2025, as conversas que vinham sendo conduzidas com o PSDB do Ceará sobre uma possível aliança para apoiar Ciro Gomes (PSDB). O movimento adiou, mas não impediu a aliança.
Em maio de 2026 o PL Ceará, liderado por Fernandes, oficializou o apoio a Ciro Gomes. No lançamento da pré-candidatura, Ciro afirmou que sua chapa tinha dois candidatos ao Senado: o ex-deputado federal Capitão Wagner (União) e o pai de André Fernandes, o deputado Alcides Fernandes.
Michelle publicou em suas redes sociais
Reprodução
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